Em dois anos, o Rasgada Coletiva realizou mais de 100 atrações artísticas em Sorocaba e região
No período entre guerras, um fenômeno
surge em vários cantos do mundo, o fenômeno dos coletivos. Trata-se de grupos
de pessoas, sem vínculo formal, fazendo ações multiartísticas independentes e
criando suas próprias regras em seu âmbito de trabalho.
O sentido de coletivo parte de três
movimentos: dadaísmo, construtivismo e surrealismo, que surgiram em 1910, em
todas as partes do mundo, principalmente na Europa e Estados Unidos.
Depois do lançamento do livro “T.A.Z.:
Zona Autônoma Temporária”, em 1985, escrito pelo historiador americano Hakim Bey, a visão
ideológica dos coletivos se transforma.
Em Sorocaba, este fenômeno aparece em
2007 com a web rádio Rock Alive, que produziu vários eventos como, por exemplo,
o Grito Rock, um festival anual de bandas independentes. Além disso, dialogou
diretamente com o Fora do Eixo, um coletivo referência no País.
Atualmente, no universo cultural, o
município conta com os coletivos Castelo Fora do Eixo, Costura Coletiva, Ideia
Coletiva, Rasgada Coletiva, entre outros. O último vem chamando a atenção, em
razão das suas ações e atividades em prol do desenvolvimento cultural de
Sorocaba. Em dois anos, o grupo realizou mais de 100 atrações artísticas. Tal
ação que acabou criando uma identidade na cidade.
O trabalho do Rasgada Coletiva envolve
a criação de espaços de formação e diálogo (oficinas, workshops, debates), a
produção de festivais e mostras artísticas, o intercâmbio entre agentes e
artistas nacionais e internacionais, além de promover e fomentar a reunião da
classe artística local, trabalhando em rede com outros produtores e coletivos.
A sede do coletivo sorocabano está
localizada na rua Carlos José Nardi, 117, na Vila São João, um pequeno bairro
residencial antigo que sobreviveu com um ritmo muito próprio ao processo de
urbanização da cidade, que “espremeu” o bairro entre o Centro e a linha férrea
sorocabana. Lá, nas segundas-feiras, se torna num espaço para criação de
atividades culturais e apresentações artísticas independentes e autorais. O
espaço, que surgiu em outubro de 2010, se chama Carne de Segunda, uma casa
comum, local de trabalho e de moradia de um de seus membros. Eles sobrevivem de
ações culturais e de editais públicos de seleção de projeto.
Antes de fechar o segundo semestre
deste ano, o Rasgada Coletiva vem desenvolvendo novos projetos, melhorando o
aspecto estrutural e visual de sua sede, com a intenção de, a cada passo feito,
seja direcionado ao aprimoramento de novos desafios.
O próximo prefeito, especialmente o
novo secretário da Cultura e Lazer (Secult) de Sorocaba, precisa olhar com
carinho este novo fenômeno, que vem para contribuir o poder público nas
realizações das atividades e ações culturais do município.
(Texto publicado na revista V!SH, que fica em Sorocaba, na edição do ano passado)
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