quinta-feira, 4 de julho de 2013

Alternativa multicultural se consolida em Sorocaba


Em dois anos, o Rasgada Coletiva realizou mais de 100 atrações artísticas em Sorocaba e região

No período entre guerras, um fenômeno surge em vários cantos do mundo, o fenômeno dos coletivos. Trata-se de grupos de pessoas, sem vínculo formal, fazendo ações multiartísticas independentes e criando suas próprias regras em seu âmbito de trabalho.

O sentido de coletivo parte de três movimentos: dadaísmo, construtivismo e surrealismo, que surgiram em 1910, em todas as partes do mundo, principalmente na Europa e Estados Unidos. Depois  do lançamento do livro “T.A.Z.: Zona Autônoma Temporária”, em 1985, escrito pelo  historiador americano Hakim Bey, a visão ideológica dos coletivos se transforma.

Em Sorocaba, este fenômeno aparece em 2007 com a web rádio Rock Alive, que produziu vários eventos como, por exemplo, o Grito Rock, um festival anual de bandas independentes. Além disso, dialogou diretamente com o Fora do Eixo, um coletivo referência no País.

Atualmente, no universo cultural, o município conta com os coletivos Castelo Fora do Eixo, Costura Coletiva, Ideia Coletiva, Rasgada Coletiva, entre outros. O último vem chamando a atenção, em razão das suas ações e atividades em prol do desenvolvimento cultural de Sorocaba. Em dois anos, o grupo realizou mais de 100 atrações artísticas. Tal ação que acabou criando uma identidade na cidade.

O trabalho do Rasgada Coletiva envolve a criação de espaços de formação e diálogo (oficinas, workshops, debates), a produção de festivais e mostras artísticas, o intercâmbio entre agentes e artistas nacionais e internacionais, além de promover e fomentar a reunião da classe artística local, trabalhando em rede com outros produtores e coletivos.

A sede do coletivo sorocabano está localizada na rua Carlos José Nardi, 117, na Vila São João, um pequeno bairro residencial antigo que sobreviveu com um ritmo muito próprio ao processo de urbanização da cidade, que “espremeu” o bairro entre o Centro e a linha férrea sorocabana. Lá, nas segundas-feiras, se torna num espaço para criação de atividades culturais e apresentações artísticas independentes e autorais. O espaço, que surgiu em outubro de 2010, se chama Carne de Segunda, uma casa comum, local de trabalho e de moradia de um de seus membros. Eles sobrevivem de ações culturais e de editais públicos de seleção de projeto.

Antes de fechar o segundo semestre deste ano, o Rasgada Coletiva vem desenvolvendo novos projetos, melhorando o aspecto estrutural e visual de sua sede, com a intenção de, a cada passo feito, seja direcionado ao aprimoramento de novos desafios.

O próximo prefeito, especialmente o novo secretário da Cultura e Lazer (Secult) de Sorocaba, precisa olhar com carinho este novo fenômeno, que vem para contribuir o poder público nas realizações das atividades e ações culturais do município.

(Texto publicado na revista V!SH, que fica em Sorocaba, na edição do ano passado)

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